quinta-feira, 7 de maio de 2009

Fernandinho(pros íntimos)

Fernando Pessoa

Sorriso audível das folhas

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.


Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.








Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou?

sábado, 7 de março de 2009

Amar Teus Olhos

Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.

Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos escrever
o verbo semear e ser tua pele
a terra de nascer poema.

Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.

Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.


Carlos Melo Santos,
in "Lavra de Amor"

terça-feira, 13 de janeiro de 2009



Epitáfio


“Jaz aqui tai”
Que nada!Jaz, jaz...
Só jaz que já morreu.
Eu não. Estou aqui
“vivinha da Silva”
Bem do seu lado
Não se assuste.

Consegue me ouvir?
Falando sobre escola,
Filmes, textos, família
Reclamando até
Abraçando-te pela manhã
Bom dia eu digo

Ah já está lembrando.
De nossas conversas
Troca de experiências felicidade,
Busca por aventuras, tanta vaidade.

Era uma vida tão alegre
Momentos de pura distração
Erros, aprendizagem, ilusão.

Esquecer de mim? Jamais.
Quanto mais comigo aqui
Cutucando-te a memória
Lembrando-te da minha história
que jamais esquecerás;

domingo, 2 de novembro de 2008

Trabalho interdissiplinar

Este foi o texto que fiz durante uma aula de filosofia, como percebi que estava bom revolvi publica-lo como trabalho interdissiplinar para a disciplina de Lingua portuguesa


Aprendemos com a sociedade.

Preconceito. Comecemos explicando pela palavra: pre__ que vem antes, e conceito__ uma idéia do que algo ou alguém é.
O que observamos atualmente, principalmente no Brasil, são falas como “aqui não existe preconceito somos uma mistura de raças”. Neste caso a prática é o contrário da teoria. Temos sim preconceitos sujos e egoístas, dos mais variados possíveis: racial, regional, cultural, sexual, intelectual, entre muitíssimos outros.
Jamais poderia dizer que acabar com estes conceitos prévios que a sociedade tem é fácil, não é porque além de praticar e apoiar todos os tipos de preconceitos ela nos ensina com seus exemplos diários.
É preciso uma luta de corpo, alma, sangue e sobretudo de idéias. Sei bem que o preconceito racial, por exemplo, não se aprende na escola dentro de algum tema de mate rias como filosofia, mas a consciência que tenho desses preconceitos adquiri principalmente no meu dia-a-dia, com os exemplos que vi sendo praticados comigo e meus amigos. A discursão na escola também é importante, pois possibilita o maior contato com formas de combatê-lo e evita-lo.
O ato de olhar para uma pessoa, perceber sua classe social, reparar sua cor e julga-la como boa ou má é um grande exemplo de preconceito, este traz consigo a discriminação visto que se permitirmos um é conseqüência do outro. O aviso que fica é: se não quisermos sofrer preconceito e discriminação não consentiremos com atitudes que podem prejulgar qualquer pessoa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Comensais , de Adão Ventura



A minha pele negra
Servida em fatias,
Em luxuosas mesas de jacarandá,
A senhores de punhos rendados
Há 500 anos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MEU BAÚ SEM LIMITES




Ao pensar sobre a proposta de escrever um texto sobre meu passado relacionado com língua portuguesa refleti: ‘é, vou ter que revirar o meu baú de recordações’ algumas delas foram destruídas pela traças do tempo que as retiraram de minha memória, revirando este baú encontrei boas lembranças.

No início eu lia alguns livros, não por algum incentivo, mas eram ‘historinhas’ infantis interessantes, eu não pensava sobre como elas podiam influenciar minha forma de ver o mundo.Além dos livros literários eu lia os didáticos só por obrigação.

Lembro-me que em minha primeira escola não havia uma biblioteca (eu nem sabia o que era isso). Já na segunda havia uma que era usada por mim para fazer trabalhos escolares, lá eu lia alguns livros que foram de grande importância, a partir daí comecei a fazer algumas leituras, eu me interessava primeiramente pelas capas e quando gostava lia todo o livro. Na minha outra escola lembro-me de uma pequena biblioteca, quando ia fazer trabalhos eu lia alguns livros da literatura brasileira.

Lembro de todas as professoras, mas não de suas aulas de Língua portuguesa, talvez porque naquele tempo não eram importantes pra mim. Apenas duas fizeram a diferença, uma era apaixonada pela língua e eu tinha uma boa relação com ela, posso me lembrar até de bons textos lidos em sala, um que me encantou foi Meus oito anos, um poema de Casimiro de Abreu.

Uma das professoras que mais me recordo é a que tive aulas de Língua portuguesa na primeira vez que cursei o primeiro ano do Ensino Médio, neste ano eu tinha uma boa relação com Língua portuguesa, a turma fazia uma redação semanal, éramos avaliados e corrigidos. Uma das minhas maiores lembranças deste ano foi um grande trabalho que fiz sobre as escolas literárias, o tema do meu grupo foi o barroco, até hoje me agrada ler e ver imagens barrocas.

Do início do ano atual me lembro principalmente da ênfase dada á importância da Língua portuguesa pelo meu professor (pela primeira vez homem). A primeira proposta de leitura de um livro gerou uma grande polêmica na escola, pois era considerado forte demais para a faixa ataria dos alunos.

Como a maioria dos alunos eu resolvi que não leria aquele livro e esta era minha decisão final, mas como dizia Einstein: “tudo é muito relativo”, com o tempo e com a grandíssima insistência do professor resolvi que seria melhor lê-lo, o livro era Manual prático do ódio de Ferrez, quando comecei a ler não queria mais parar, fiquei encantada com o livro.

Durante esta grande revirada em meu baú de lembranças de passado encontrei algumas coisas perdidas que, como aqueles velhos brinquedos de infância, fazem parte de minha história. Vi que minha vida com a Língua portuguesa não foi tão ruim assim apesar da precariedade dos primeiros anos. Agora eu continuarei enchendo este baú sem limites, enchendo - o com mais livros e outras leitura, é claro.





MANHÃS DE SETEMBRO

Fui eu que se fechou no muro e se guardou lá fora

Fui eu que num esforço se guardou na indiferença.

Fui eu que em numa tarde se fez tarde de tristezas.

Fui eu que consegui ficar e ir embora.

E fui esquecida.

Fui eu.

Fui eu que em noite fria se sentia bem.

E na solidão sem ter ninguém fui eu.

Fui eu que em primavera só não viu as flores.

E o sol.

Nas manhãs de setembro.

Eu quero sair.

Eu quero falar.

Eu quero ensinar o vizinho a cantar.

Eu quero saireu quero falar.

Eu quero ensinar o vizinho a cantar.

Nas manhãs de setembro(bis2).

Nas manhãs...