A Alfredo A.
E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada,
A esmola dum carinho apetecido.
E ela fita-me, o olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada
:- Senhora, dai-me u’a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.
Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.
Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.
Augusto dos Anjos
um blog voltado para a poesia da vida, para quem gosta de ouvir o som das folhas, a brisa do mar, o brilho das estrelas em cada palavra.
terça-feira, 16 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Cora Coralina

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro.
E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe,
tinha queimado seu rancho,e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu.
Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar".
Pensando bem, não só a vara de pescar,
também a linhada,o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:Na prática, a teoria é outra.
(Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas), 20/08/1889
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Negro
Traços
vincos
marcas
Na face há dor
Jeito
ginga
capoeira
seu corpo lutou
Liberdade
Contra a maldade do algoz
Me espanto
o canto
a saudade na voz
Os passos
o espaço
entre a cerca e o engenho
Não corre tu
morres
Zumbi
Pro tronco
não volto
a morte é melhor
Na mira não
corre tu morres
Zumbi
Abismo
vivo?
morto?
chão
saudades
ZUMBI
Traços
vincos
marcas
Na face há dor
Jeito
ginga
capoeira
seu corpo lutou
Liberdade
Contra a maldade do algoz
Me espanto
o canto
a saudade na voz
Os passos
o espaço
entre a cerca e o engenho
Não corre tu
morres
Zumbi
Pro tronco
não volto
a morte é melhor
Na mira não
corre tu morres
Zumbi
Abismo
vivo?
morto?
chão
saudades
ZUMBI
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Fernandinho(pros íntimos)
Fernando Pessoa
Sorriso audível das folhas
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou?
Sorriso audível das folhas
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou?
sábado, 7 de março de 2009
Amar Teus Olhos
Podia com teus olhos
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos escrever
o verbo semear e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
Carlos Melo Santos,
in "Lavra de Amor"
escrever a palavra mar.
Podia com teus olhos
escrever a palavra amar
não fossem amor já teus olhos.
Podia em teus olhos navegar
conjugar os verbos dar e receber.
Podia com teus olhos escrever
o verbo semear e ser tua pele
a terra de nascer poema.
Podia com teus olhos escrever
a palavra além ou aqui
ou a palavra luar,
recolher-me em teus olhos de lua
só teus olhos amar.
Podia em teus olhos perder-me
não fossem, amor, teus olhos,
o tempo de achar-me.
Carlos Melo Santos,
in "Lavra de Amor"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Epitáfio
“Jaz aqui tai”
Que nada!Jaz, jaz...
Só jaz que já morreu.
Eu não. Estou aqui
“vivinha da Silva”
Bem do seu lado
Não se assuste.
Consegue me ouvir?
Falando sobre escola,
Filmes, textos, família
Reclamando até
Abraçando-te pela manhã
Bom dia eu digo
Ah já está lembrando.
De nossas conversas
Troca de experiências felicidade,
Busca por aventuras, tanta vaidade.
Era uma vida tão alegre
Momentos de pura distração
Erros, aprendizagem, ilusão.
Esquecer de mim? Jamais.
Quanto mais comigo aqui
Cutucando-te a memória
Lembrando-te da minha história
que jamais esquecerás;
“Jaz aqui tai”
Que nada!Jaz, jaz...
Só jaz que já morreu.
Eu não. Estou aqui
“vivinha da Silva”
Bem do seu lado
Não se assuste.
Consegue me ouvir?
Falando sobre escola,
Filmes, textos, família
Reclamando até
Abraçando-te pela manhã
Bom dia eu digo
Ah já está lembrando.
De nossas conversas
Troca de experiências felicidade,
Busca por aventuras, tanta vaidade.
Era uma vida tão alegre
Momentos de pura distração
Erros, aprendizagem, ilusão.
Esquecer de mim? Jamais.
Quanto mais comigo aqui
Cutucando-te a memória
Lembrando-te da minha história
que jamais esquecerás;
domingo, 2 de novembro de 2008
Trabalho interdissiplinar
Este foi o texto que fiz durante uma aula de filosofia, como percebi que estava bom revolvi publica-lo como trabalho interdissiplinar para a disciplina de Lingua portuguesa
Aprendemos com a sociedade.
Preconceito. Comecemos explicando pela palavra: pre__ que vem antes, e conceito__ uma idéia do que algo ou alguém é.
O que observamos atualmente, principalmente no Brasil, são falas como “aqui não existe preconceito somos uma mistura de raças”. Neste caso a prática é o contrário da teoria. Temos sim preconceitos sujos e egoístas, dos mais variados possíveis: racial, regional, cultural, sexual, intelectual, entre muitíssimos outros.
Jamais poderia dizer que acabar com estes conceitos prévios que a sociedade tem é fácil, não é porque além de praticar e apoiar todos os tipos de preconceitos ela nos ensina com seus exemplos diários.
É preciso uma luta de corpo, alma, sangue e sobretudo de idéias. Sei bem que o preconceito racial, por exemplo, não se aprende na escola dentro de algum tema de mate rias como filosofia, mas a consciência que tenho desses preconceitos adquiri principalmente no meu dia-a-dia, com os exemplos que vi sendo praticados comigo e meus amigos. A discursão na escola também é importante, pois possibilita o maior contato com formas de combatê-lo e evita-lo.
O ato de olhar para uma pessoa, perceber sua classe social, reparar sua cor e julga-la como boa ou má é um grande exemplo de preconceito, este traz consigo a discriminação visto que se permitirmos um é conseqüência do outro. O aviso que fica é: se não quisermos sofrer preconceito e discriminação não consentiremos com atitudes que podem prejulgar qualquer pessoa.
Aprendemos com a sociedade.
Preconceito. Comecemos explicando pela palavra: pre__ que vem antes, e conceito__ uma idéia do que algo ou alguém é.
O que observamos atualmente, principalmente no Brasil, são falas como “aqui não existe preconceito somos uma mistura de raças”. Neste caso a prática é o contrário da teoria. Temos sim preconceitos sujos e egoístas, dos mais variados possíveis: racial, regional, cultural, sexual, intelectual, entre muitíssimos outros.
Jamais poderia dizer que acabar com estes conceitos prévios que a sociedade tem é fácil, não é porque além de praticar e apoiar todos os tipos de preconceitos ela nos ensina com seus exemplos diários.
É preciso uma luta de corpo, alma, sangue e sobretudo de idéias. Sei bem que o preconceito racial, por exemplo, não se aprende na escola dentro de algum tema de mate rias como filosofia, mas a consciência que tenho desses preconceitos adquiri principalmente no meu dia-a-dia, com os exemplos que vi sendo praticados comigo e meus amigos. A discursão na escola também é importante, pois possibilita o maior contato com formas de combatê-lo e evita-lo.
O ato de olhar para uma pessoa, perceber sua classe social, reparar sua cor e julga-la como boa ou má é um grande exemplo de preconceito, este traz consigo a discriminação visto que se permitirmos um é conseqüência do outro. O aviso que fica é: se não quisermos sofrer preconceito e discriminação não consentiremos com atitudes que podem prejulgar qualquer pessoa.
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